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Firpo defende ajuste fiscal que distribua custos entre grupos

Economista do Insper diz que orçamento rígido limita cortes imediatos e que benefícios tributários também devem entrar no debate; não há pacote oficial definido.

Ilustração editorial em grafite com hospital, escola, pequeno negócio, cesta de compras, livro-caixa, moedas e balança sem texto legível.
Ilustração editorial Estoaris.

O Brasil precisa combinar responsabilidade fiscal e justiça social, segundo o economista Sergio Firpo, coordenador acadêmico do Observatório da Qualidade do Gasto Público do Insper. Em entrevista ao WW Especial, da CNN Brasil, publicada na janela, ele defendeu um ajuste com efeitos no médio e no longo prazo, e não um corte imediato concentrado em poucos grupos.

Por que cortes imediatos são limitados

O ponto técnico é a rigidez do orçamento. Parte relevante das despesas públicas é obrigatória ou segue regras que limitam mudanças rápidas. Por isso, na avaliação de Firpo, um governo não consegue produzir grande redução de gasto já no primeiro ano apenas por decisão administrativa. Alterações maiores exigem leis, revisão de benefícios, mudança de regras ou tempo para produzir efeito.

O que entra na conta

O economista também propôs incluir benefícios tributários na conversa. Entram nessa categoria isenções, deduções e outros mecanismos que reduzem o imposto pago por empresas ou pessoas. Rever esses benefícios pode elevar receita ou reduzir renúncia, mas também pode encarecer atividades, mudar incentivos e atingir famílias de forma desigual. Sem uma lista de benefícios, valores e compensações, não é possível calcular o efeito da proposta.

O debate costuma se concentrar em despesas previdenciárias e assistenciais porque elas têm peso relevante e crescem por regras próprias. Firpo argumenta que cobrar apenas desses grupos reduz a legitimidade do ajuste. Na prática, a distribuição do custo dependeria de quais benefícios seriam revistos, de quais serviços seriam preservados e de como o governo protegeria famílias de menor renda.

O que empresas e famílias podem observar

Para quem acompanha juros e crédito, a diferença entre anúncio e plano é decisiva. Um ajuste crível pode reduzir dúvidas sobre a trajetória da dívida e ajudar a ancorar expectativas; um pacote mal distribuído pode sofrer resistência política e ser alterado antes de produzir economia. Nenhum dos efeitos é automático, e a entrevista não apresenta estimativa de economia, cronograma legislativo ou decisão do governo.

O registro seguro é que Firpo defendeu um caminho de ajuste fiscal distribuído e de médio prazo. A escolha de medidas, o cálculo de economia e a tramitação dependem de decisões futuras do governo e do Congresso.