O valor de mercado das companhias listadas na B3 caiu R$ 948,82 bilhões entre 23 e 30 de outubro, segundo cálculo publicado pelo Poder360 com base nos dados diários divulgados pela B3. A queda foi de 16,41% em cinco pregões: o total passou de R$ 5,780 trilhões para R$ 4,831 trilhões.
O número é uma atualização do recuo do Ibovespa já noticiado pelo Estoaris, mas acrescenta a dimensão do conjunto de empresas listadas. A capitalização é calculada pela multiplicação do preço das ações pela quantidade de papéis. Quando as cotações caem, o valor de mercado diminui mesmo que não haja uma retirada de dinheiro equivalente por parte dos investidores.
No recorte apresentado pelo Poder360, as empresas do Ibovespa responderam por R$ 817,32 bilhões da perda e o índice caiu 15,87% em valor de mercado, de R$ 5,150 trilhões para R$ 4,332 trilhões. As companhias fora do Ibovespa perderam R$ 131,50 bilhões. O IBrX 100 e o Ibovespa são carteiras que se sobrepõem; suas perdas não podem ser somadas ao total da B3.
Medido em dólares, o valor de mercado total caiu 21,64%, de US$ 1,147 trilhão para US$ 899,03 bilhões. A variação em dólar foi maior porque combina a queda dos ativos com a desvalorização do real no período.
A queda ocorreu na semana seguinte ao segundo turno das eleições presidenciais. A matéria do Poder360 relaciona o movimento a uma reprecificação das expectativas sobre política econômica e fiscal, mas essa leitura não demonstra que a eleição tenha sido a causa exclusiva. Juros, câmbio, cenário internacional, resultados empresariais e outras expectativas também podem afetar as cotações.
O dado, portanto, descreve uma perda de valor contábil de mercado em um período específico. Não permite concluir, sem dados de fluxo, que R$ 948,82 bilhões tenham sido sacados ou deixado o sistema financeiro. Também não é uma recomendação de compra ou venda de ativos.
