Economia

BYD pede a Lula diálogo com a China para transferir tecnologia de baterias

Alexandre Baldy afirmou que a decisão depende de relação diplomática; a empresa diz importar da China 85% das células usadas na produção, mas não há acordo anunciado.

Ilustração editorial de células de bateria, minério de lítio e ponte simbólica entre Brasil e China
Ilustração editorial Estoaris.

O vice-presidente do Grupo BYD Brasil, Alexandre Baldy, afirmou que pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a abertura de um diálogo diplomático com a China para viabilizar a transferência de tecnologia para produzir células de baterias de lítio no Brasil. A declaração foi dada a jornalistas em 29 de outubro e publicada pelo Poder360.

Segundo Baldy, a BYD já fabrica no país o conjunto da bateria, mas importa da China as células que o compõem. O executivo afirmou que 85% das células usadas na produção vêm do país asiático. A AutoData registrou a mesma dependência e relatou a meta de chegar a 50% de conteúdo local até janeiro de 2027.

O pedido descrito por Baldy não equivale a um acordo entre os governos. O próprio executivo afirmou que a transferência dependeria mais de uma decisão diplomática do que de uma iniciativa corporativa. Até a publicação, não foi localizado anúncio do Palácio do Planalto, do governo chinês ou da BYD formalizando o repasse de tecnologia.

A fala ocorre enquanto a unidade da BYD em Camaçari, na Bahia, amplia a nacionalização de etapas da produção. A meta empresarial de elevar o conteúdo local e iniciar exportações é um plano da companhia, não uma garantia de política industrial ou de resultado comercial.

A questão para o poder público é se eventual negociação produziria transferência efetiva de conhecimento, fornecedores e empregos no Brasil, com regras claras, sem transformar anúncio empresarial em compromisso estatal. O próximo fato verificável seria uma resposta formal do governo brasileiro, de Pequim ou da própria BYD sobre os termos e a viabilidade da transferência.