A Câmara dos Deputados voltou a colocar em pauta a mudança do sistema de eleição de deputados e vereadores. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer discutir e votar ainda em 2026 a adoção do voto distrital misto, segundo registro da Agência Câmara.
O cronograma anunciado prevê uma transição nas eleições de 2030 e a implantação completa do modelo em 2034. Isso é uma meta política declarada, não uma mudança já aprovada: o registro oficial não apresenta um texto final, um mapa de distritos ou um calendário legislativo fechado.
O que mudaria
Hoje, deputados são eleitos pelo sistema proporcional. Em termos simples, os votos dados aos candidatos e às legendas ajudam a definir quantas cadeiras cabem a cada partido ou federação; depois, as regras de distribuição determinam quais candidatos ocupam essas vagas. A Câmara explica que o modelo usa quociente eleitoral, votos de candidatos, votos de legenda e distribuição de sobras.
No voto distrital misto, a fórmula descrita no projeto anterior combina duas escolhas: um candidato para representar um distrito e um partido ou lista partidária. A Câmara já registrou esse desenho ao explicar o PL 9.212/2017, projeto aprovado pelo Senado e enviado à Câmara. O Senado identifica a matéria como PLS 86/2017, convertido no PL 9.212/2017.
O ponto que não pode ser confundido é o seguinte: o PL de 2017 é um antecedente legislativo; ele não prova que o pacote que Motta pretende discutir em 2026 será idêntico. O desenho das listas, dos distritos, da suplência, da representação de minorias e da transição depende do texto que efetivamente entrar em tramitação.
O que ainda não está decidido
O anúncio não significa que o eleitor já votará pelo novo modelo. Ainda faltam o texto integral, a definição de quem desenhará os distritos, os critérios territoriais, a proporção entre cadeiras distritais e de lista, a fórmula para ordenar listas e o calendário de comissões, plenários e análise do Senado.
Reportagens da Folha e do G1, republicado com identificação de origem pelo Imirante atribuem resistência ao PT e ao PL. A fonte oficial, por sua vez, registra que Motta ainda pretende dialogar com PT, PV, PCdoB, PL e Novo. O quadro político é de negociação aberta, não de acordo consolidado.
A pergunta que a Câmara precisa responder
O voto distrital misto pode aproximar o deputado de uma base territorial, mas também pode concentrar poder em máquinas locais, alterar a entrada de partidos menores e reduzir ou deslocar o peso de candidatos muito populares. Nenhum desses efeitos é automático; todos dependem do mapa, da lista e da fórmula de distribuição.
Por isso, a cobrança institucional é anterior ao slogan de “modernização” ou à acusação de manobra: o Congresso precisa apresentar o texto, explicar quem ganha e quem perde, publicar simulações e deixar claro por que a regra deveria ser votada pela composição atual da Câmara. A mudança afeta a representação política de milhões de eleitores e não pode ser avaliada apenas pela promessa de aproximar o parlamentar do território.
Até que a tramitação produza um texto aprovado, o que existe é uma intenção oficial de reabrir o debate, um projeto antigo como referência e um cronograma político projetado para 2030 e 2034. O sistema eleitoral, por enquanto, continua proporcional para deputados e vereadores.
