A parcela de famílias brasileiras que declararam ter dívidas ficou em 81,6% em outubro de 2026, ante 81,7% em setembro. No mesmo período, a proporção com contas em atraso caiu de 29,6% para 29,3%, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela CNC nesta quinta-feira (5).
Os dois indicadores não medem a mesma situação. Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), estar endividado significa ter compromissos financeiros a vencer, mesmo quando as prestações são pagas em dia. A inadimplência considera contas cujo pagamento já está atrasado. Por isso, uma família pode integrar a primeira estatística sem constar na segunda.
Queda geral não alcança todas as faixas de renda
O recuo da inadimplência na média nacional não se repetiu entre as famílias com rendimentos de até três salários mínimos. Nesse grupo, a proporção com pagamentos atrasados passou de 38,5% em setembro para 38,6% em outubro, de acordo com o detalhamento oficial da CNC. A mudança de 0,1 ponto percentual é pequena, mas contraria a direção do indicador agregado.
Já entre as famílias que recebem de cinco a dez salários mínimos, a parcela com dívidas subiu de 77,9% para 79,3% em um mês, segundo a mesma pesquisa. Esse recorte mede a existência de obrigações financeiras, não necessariamente atraso no pagamento.
Atrasos longos continuam pressionando o orçamento
Entre os atrasos registrados na pesquisa, o tempo médio passou de 65,3 dias em setembro para 65,1 dias em outubro. Apesar da redução, a CNC informou que 48,8% dos débitos vencidos e não pagos estavam em atraso havia mais de 90 dias. Esse percentual se refere aos débitos atrasados, não a todas as famílias.
Ainda de acordo com a apuração da entidade, 19,3% das famílias tinham mais da metade da renda mensal comprometida com pagamentos de dívidas. O indicador ajuda a dimensionar a pressão sobre o orçamento e sobre o dinheiro disponível para despesas correntes.
Uma melhora ainda insuficiente para indicar tendência
A diferença de 0,1 ponto percentual no endividamento de setembro para outubro foi classificada pela própria CNC como marginal, equivalente à estabilidade estatística em nível elevado. Os resultados mensais não demonstram, isoladamente, que a trajetória de endividamento continuará a cair nem estabelecem a causa das oscilações observadas.
Para o leitor que acompanha o orçamento familiar, a distinção decisiva é entre manter uma dívida dentro do calendário de pagamentos e acumular prestações vencidas. A Peic de outubro e sua série histórica permitem comparar esses indicadores ao longo dos meses, mas não substituem o cálculo das obrigações de cada domicílio.
