As condições financeiras das pequenas empresas industriais atingiram o pior nível em cinco anos no terceiro trimestre de 2026, segundo o Panorama da Pequena Indústria divulgado pela CNI. O índice de situação financeira caiu para 38,5 pontos, recuo de 0,9 ponto em relação ao trimestre anterior.
O indicador varia de 0 a 100 e combina a avaliação dos empresários sobre margem de lucro operacional, condição financeira e facilidade de acesso ao crédito. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, houve queda de 2,5 pontos; o resultado ficou 0,3 ponto abaixo da média histórica da série.
O desempenho das pequenas indústrias também recuou. O índice caiu 0,9 ponto no trimestre, para 44,3 pontos, e ficou 2 pontos abaixo do mesmo período do ano anterior. A medida considera volume de produção ou nível de atividade, utilização da capacidade instalada e evolução do número de empregados.
A carga tributária permaneceu como o principal problema apontado pelas empresas. Na indústria de transformação, a proporção de menções subiu de 37,3% para 41%; na construção, passou de 42,9% para 43,6%. A demanda interna insuficiente avançou para a segunda posição entre as empresas de transformação, com 26,6% das respostas. Na construção, os juros altos foram citados por 39,3% dos empresários.
A confiança melhorou em outubro, de 44,4 para 46,8 pontos, mas permaneceu abaixo da linha de 50 pontos que separa confiança de falta de confiança. Segundo a CNI, o indicador está abaixo desse nível há 23 meses. O índice de perspectivas ficou em 46,6 pontos no terceiro trimestre.
Os números representam a percepção dos empresários captada pelo levantamento da CNI. Eles descrevem a situação e as expectativas das pequenas indústrias, mas não medem sozinhos a saúde de toda a economia nem permitem atribuir a piora a um único fator. A entidade aponta juros, dificuldade de crédito, carga tributária e demanda como pressões simultâneas.
