A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, afirmou ao Poder360 que o governo Luiz Inácio Lula da Silva evitou a saída de mais de 2.500 cientistas. A declaração foi dada em entrevista em 28 de outubro e relacionou o resultado ao programa Conhecimento Brasil, executado pelo CNPq com recursos do FNDCT.
Os registros oficiais do CNPq confirmam o número de mais de 2.500 pesquisadores, mas usam uma definição mais ampla: trata-se da demanda bruta de duas chamadas. Uma buscou atrair e fixar pesquisadores brasileiros em atuação no exterior; a outra apoiou redes de cooperação com pesquisadores ligados a instituições estrangeiras. O registro, portanto, reúne interesse em voltar e interesse em cooperar, não uma contagem única de retornos efetivos.
Na página do resultado final, o CNPq informa que a chamada de atração e fixação contrataria 599 projetos, com investimento previsto de R$ 604 milhões. Outros 640 projetos foram aprovados na chamada de formação de redes, com R$ 228,5 milhões para dois anos. A entidade também registra pesquisadores aprovados que atuavam em 34 países.
Esses números mostram a dimensão do programa, mas não respondem sozinhos à formulação usada pela ministra. A demanda bruta mede pessoas que manifestaram interesse; os projetos aprovados medem seleção e contratação. Nenhum dos registros consultados apresenta, com a mesma cifra de 2.500, quantos pesquisadores efetivamente voltaram ao Brasil ou quantos teriam permanecido no exterior sem a política.
O CNPq também descreve o número como demanda de pesquisadores radicados em 56 países interessados em regressar ou atuar em cooperação. A diferença entre os 56 países da demanda e os 34 países dos projetos aprovados reforça que são recortes distintos do programa.
O dado mais forte que as fontes permitem afirmar é que o governo criou chamadas capazes de mobilizar pesquisadores brasileiros no exterior e contratar projetos de retorno ou cooperação. Já a conclusão de que o programa “evitou a saída” de 2.500 cientistas depende de uma metodologia adicional: seria necessário saber quem efetivamente voltou, quem permaneceu no país e qual teria sido o comportamento dessas pessoas sem a política.
