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Pesquisa amplia aposta em pausa do Copom

Trinta e três dos 48 analistas consultados pela Reuters preferiam manutenção, enquanto as opções da B3 já mostravam 63,1% de probabilidade implícita de pausa; nenhum dos sinais é a decisão do Banco Central.

Ilustração editorial em grafite com edifício genérico de banco central, pesquisa em papel, curva de derivativos e calendário sem texto legível.
Ilustração editorial Estoaris.

Uma pesquisa da Reuters reproduzida pelo UOL mostrou que a maioria dos analistas passou a esperar manutenção da Selic em 13,75% na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de novembro. Dos 48 participantes, 33 indicaram pausa e 15 ainda esperavam um corte.

A pesquisa foi aberta em 28 de outubro, quando muitos analistas ainda esperavam um sexto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual, e encerrada em 2 de novembro. A mudança de respostas registra uma atualização de expectativas; não é uma decisão antecipada do Copom.

Pesquisa e preço de mercado são coisas diferentes

Em comunicado de 29 de outubro, a B3 informou que as opções de Copom indicavam 63,1% de probabilidade implícita de manutenção, 28% de corte de 0,25 ponto e 4,2% de corte de 0,50 ponto, com preços de referência do fechamento de 26 de outubro.

Os dois números respondem a perguntas diferentes. A pesquisa reúne respostas de analistas; a opção de Copom é um contrato cujo preço permite calcular uma probabilidade implícita na data de referência. A pesquisa mais recente pode refletir a reprecificação dos dias seguintes, mas não transforma a probabilidade de mercado em previsão certa.

O que o Banco Central decide

A meta Selic vigente era de 13,75% e a reunião estava marcada para 3 e 4 de novembro. O comunicado oficial do Banco Central é que define a taxa efetiva. Um corte de 0,25 ponto, se ocorrer, significa 25 pontos-base — não uma redução automática de 0,25 ponto em todos os empréstimos.

O que analistas estão tentando medir

O relato da Reuters associa a mudança de expectativa às dúvidas sobre o programa fiscal do próximo governo, à reação dos ativos brasileiros e à desaceleração da atividade. A reportagem também registra divergência: parte dos economistas ainda via espaço para cortes porque a inflação havia melhorado e o mercado de trabalho dava sinais de perda de fôlego.

Para famílias e empresas, uma pausa prolonga o período de crédito caro e mantém maior remuneração em aplicações pós-fixadas, antes de impostos e taxas. Um corte pode aliviar a taxa básica, mas o repasse depende do risco do tomador, do prazo, do banco e da curva de juros.

O dado novo desta atualização é a convergência parcial entre duas medidas de expectativa: a pesquisa fechada em 2 de novembro e as opções da B3 já apontavam para uma pausa, embora com naturezas, datas e metodologias diferentes. A decisão que vale para o público continua sendo a do Copom.