O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) atingiu 136 pontos em setembro, alta de 1,5% ante agosto e de 5,8% em 12 meses. O indicador mede preços internacionais de uma cesta de commodities alimentares, não o preço médio pago pelo consumidor em supermercados brasileiros.
O dado foi divulgado pela FAO em 2 de outubro e reapareceu no monitoramento econômico desta manhã. A variação mensal veio principalmente de cereais, óleos vegetais e açúcar. Carnes recuaram e laticínios ficaram praticamente estáveis.
Quais grupos puxaram o índice
O índice de cereais subiu 5,1% no mês. Dentro dele, o trigo avançou 6,3% e o milho, 5,6%. A FAO associou o movimento a restrições logísticas no Mar Negro, clima seco em áreas da América do Norte e menor disponibilidade de exportação de milho no Brasil.
O índice de óleos vegetais aumentou 0,9%. O açúcar subiu 6,1% e atingiu o maior nível desde abril de 2025, segundo a organização. A FAO relacionou a pressão a perspectivas de produção menor em regiões produtoras e a chuvas que afetaram o andamento da colheita no Centro-Sul do Brasil.
Na direção contrária, o índice de carnes caiu 1,1%, enquanto o de laticínios recuou 0,1%. A queda das carnes foi influenciada por cotações menores de frango e suínos; a FAO citou oferta exportável ampla e menor demanda em alguns mercados.
Por que o índice não é a inflação da comida
O indicador da FAO é construído a partir de preços internacionais e pesos baseados nas participações médias de exportação de 2014 a 2016. Ele funciona como termômetro do mercado de commodities, não como uma cesta de compras brasileira.
Entre o preço internacional e o supermercado entram câmbio, frete, impostos, custos de processamento, margens, oferta doméstica e políticas comerciais. Por isso, uma alta de 5,1% nos cereais da FAO não significa que farinha, pão ou massas subirão na mesma proporção, no mesmo mês, no Brasil.
O índice também estava 15,1% abaixo do pico de março de 2022. A comparação mostra que o movimento recente é uma recuperação parcial de preços internacionais, não um retorno automático ao choque global de 2022.
O que merece acompanhamento no Brasil
O milho é relevante para ração animal e biocombustíveis, e a cana-de-açúcar influencia a produção de açúcar e etanol. Pressões internacionais podem afetar exportações, custos de produtores e preços internos, mas o efeito depende da disponibilidade brasileira e da taxa de câmbio.
O próximo risco seria a persistência simultânea de problemas climáticos e logísticos. A FAO afirmou que, se as pressões continuarem, elas podem chegar aos preços dos alimentos ao consumidor, especialmente em países dependentes de importações de alimentos e energia. Isso é um cenário condicional da organização, não uma previsão fechada para o IPCA brasileiro.
Fontes: FAO Food Price Index, FAO Newsroom e FAO FPMA.
