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PF apura se Flávio deixou o Brasil em avião ligado a advogado; defesa nega

Poder360 reproduz linha de investigação sobre voo Brasília–Argentina; PF confirma ordem de proibição de saída e apuração, mas não há registro oficial de saída brasileira.

Ilustração em grafite de um jato genérico, mapa abstrato da fronteira Brasil–Argentina, pasta de investigação e silhueta de tribunal.
Ilustração editorial Estoaris.

A Polícia Federal apura se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil na manhã de 27 de outubro em um avião ligado ao advogado Willer Tomaz, segundo reportagem do Poder360. A matéria atribui a informação ao Fantástico, da TV Globo, e descreve uma rota de Brasília a San Fernando, na Argentina, em um Cessna de prefixo PR-AAA.

O relato acrescenta uma hipótese logística à cobertura anterior sobre a passagem de Flávio pela Argentina e o voo posterior para os Estados Unidos. Ele não prova, sozinho, quem organizou a viagem nem que o senador tenha cometido crime.

O que a PF confirmou

Em nota publicada pelo Ministério da Justiça, a PF informou que havia representado ao Supremo Tribunal Federal por apreensão de passaportes, proibição de saída do país e restrição de contato com outros investigados. A nota diz que os passaportes brasileiros foram cancelados, que houve alerta migratório e que não existia registro oficial de saída do parlamentar pelos postos de controle brasileiros.

O mesmo comunicado afirma que a PF investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens. Também registra que as restrições, por si sós, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão ou outras cautelares.

A contestação sobre a aeronave

O Poder360 informa que dados da Agência Nacional de Aviação Civil ligam o Cessna à empresa Jet Line Locações e Serviços Aéreos, que tem como sócias a irmã e a mulher de Willer Tomaz. A reportagem também registra que não foi possível verificar publicamente as últimas rotas do avião.

A assessoria de Tomaz negou que avião dele ou de empresas da família tenha sido usado por Flávio e afirmou que as movimentações foram rastreáveis. O advogado Frederick Wassef, que defende o senador, disse que não há informação oficial confirmando a viagem como fuga e que a apuração envolve terceiros.

O estágio jurídico

O STF identifica a PET 16.877 como processo eletrônico sigiloso, sob relatoria de Alexandre de Moraes. O registro público e a nota da PF situam o caso no campo da investigação e das medidas cautelares. Não há, nas fontes consultadas, condenação ou mandado de prisão contra Flávio relacionado a este episódio.

Esse estágio deve ser preservado no texto: investigação não é denúncia recebida, condenação ou prova de responsabilidade. Ao mesmo tempo, a negativa da defesa não elimina a apuração da PF sobre o cumprimento da ordem judicial e a logística da viagem.

O que ainda precisa ser esclarecido

Faltam os registros de voo completos, documentos de pagamento ou contratação, autos não sigilosos da investigação e uma confirmação oficial sobre o uso do PR-AAA. Também permanece sem resposta pública a sequência exata entre a saída de Brasília, a travessia terrestre e o embarque posterior em Puerto Iguazú.

Até que esses documentos apareçam, o registro responsável é o de uma hipótese investigada, com negativa dos envolvidos e confirmação oficial apenas sobre a ordem judicial, o cancelamento dos passaportes, o alerta migratório e a inexistência de registro de saída nos postos brasileiros.