EconomiaAtualização explicativa

Campanhas de 2026 já declararam R$ 11 bilhões em despesas, mas conta ainda está aberta

Levantamento da CNN com dados do TSE soma R$ 11,03 bilhões; prestação final só fecha em novembro, e transferências entre candidaturas distorcem uma leitura simples do custo total.

Ilustração editorial em grafite, carvão e tinta com vault digital genérico, balança, canais de transação e equipe de prestação de contas; sem logos ou texto legível
Ilustração editorial Estoaris.

As campanhas das eleições de 2026 declararam R$ 11,03 bilhões em despesas até os dados disponíveis em 30 de outubro, segundo levantamento da CNN Brasil. A soma reúne candidaturas à Presidência, ao Senado, à Câmara dos Deputados, às assembleias estaduais e à Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O valor é grande, mas precisa de tradução. Ele não é uma fatura única paga pelo Tesouro nem representa ainda o custo líquido e auditado da eleição. É uma soma de despesas declaradas pelas campanhas no sistema do Tribunal Superior Eleitoral.

Onde o dinheiro aparece

Segundo a CNN, a maior categoria foi a de doações financeiras a outros candidatos e partidos: R$ 5,72 bilhões, ou cerca de 52% do total. Esse tipo de operação é uma transferência: um candidato ou partido repassa dinheiro a outro. Se alguém somar todas as contas sem retirar as transferências, o mesmo recurso pode aparecer como despesa de uma campanha e receita de outra.

As outras categorias citadas pela CNN incluem R$ 976 milhões em publicidade por materiais impressos, R$ 795 milhões em serviços de terceiros, R$ 662 milhões em militância e mobilização de rua e R$ 538 milhões em despesas com pessoal. Também aparecem R$ 488 milhões em impulsionamento digital, R$ 302 milhões em serviços advocatícios e R$ 180 milhões em cessão ou locação de veículos.

O TSE informa que a prestação de contas permite consultar receitas, despesas contratadas e pagas, doadores e fornecedores. Essas categorias não são equivalentes: uma despesa pode estar contratada e ainda não paga, e os dados podem ser corrigidos durante o processo de análise.

O Fundo Eleitoral é apenas uma parte

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, foi fixado em R$ 4,9615 bilhões para 2026, segundo o TSE. O fundo é público e destinado às campanhas, mas não é o total das despesas eleitorais.

As campanhas também movimentam recursos do Fundo Partidário, doações de pessoas físicas, recursos próprios, repasses dos partidos e bens ou serviços estimáveis em dinheiro. A origem pública de parte relevante do dinheiro explica por que a prestação de contas interessa a quem não participa da política: os eleitores precisam saber como os partidos usam recursos que passam pelo orçamento público.

A conta ainda não fechou

O levantamento da CNN calcula que o total está R$ 2,36 bilhões abaixo do montante atribuído às eleições gerais de 2022. A comparação é provisória. O calendário do TSE prevê prazos posteriores para a entrega das contas de primeiro e segundo turnos, e o valor pode mudar com novos lançamentos, retificações e julgamento das prestações.

Há ainda uma razão política para o custo final variar: 21 estados definiram a eleição para governador no primeiro turno, segundo a explicação citada pela CNN. Isso reduz despesas de segundo turno em comparação com uma eleição em que mais disputas estaduais fossem prolongadas, mas não transforma a comparação em medida pura de eficiência.

O que observar agora

O dado mais importante para o leitor é separar três perguntas: quanto foi declarado, quanto foi efetivamente pago e quanto veio de dinheiro público. O número de R$ 11,03 bilhões responde apenas à primeira pergunta dentro do recorte e da metodologia da CNN.

O próximo passo é a consolidação das contas pelo TSE. Até lá, as cifras ajudam a dimensionar a escala econômica das campanhas, mas não provam que um fornecedor entregou o serviço, que uma despesa foi regular ou que o dinheiro produziu um resultado eleitoral. Essas conclusões dependem da análise individual das prestações.

Para o eleitor, a informação permite acompanhar candidatos, doadores e fornecedores no DivulgaCandContas. Para a Justiça Eleitoral, a tarefa é conferir limites, origem dos recursos e regras de transparência.