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IA amplia o pré-atendimento na compra de imóveis, mas corretor segue central no crédito

Dados internos da Morada.ai apontam alta de 79% nas conversas e poucos pedidos iniciais por atendimento humano; o recorte não mede todo o mercado.

Ilustração editorial com uma interface abstrata de IA e edifícios residenciais de um lado, e uma família revisando documentos com um corretor do outro.
Ilustração editorial Estoaris.

A inteligência artificial está ocupando uma parte cada vez maior do primeiro contato entre compradores de imóveis e incorporadoras, mas os dados disponíveis ainda não demonstram substituição do corretor nem aumento nacional de vendas. Uma reportagem do InfoMoney apresenta números fornecidos pela Morada.ai, plataforma que atende empresas do setor.

Segundo a empresa, o volume de conversas com interessados cresceu 79% em 12 meses. A base declarada reúne cerca de 2,77 milhões de conversas e aproximadamente 36 milhões de mensagens trocadas entre outubro de 2025 e outubro de 2026, em canais como WhatsApp e chat. O universo inclui cerca de 300 incorporadoras e loteadoras clientes, mais de 200 delas com operação ativa no último mês.

Ainda segundo o recorte da Morada.ai, apenas 1,3% das primeiras mensagens pediram atendimento humano. O dado sugere que a automação pode absorver perguntas iniciais sobre imóveis, localização, preço e financiamento antes de encaminhar o contato para a equipe comercial. Ele não permite concluir que a maioria dos compradores dispense o corretor: a base reúne usuários de uma plataforma específica e não representa todo o mercado brasileiro.

As perguntas também variam conforme o perfil do empreendimento. A empresa informa que 19,5% das conversas sobre o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) mencionaram financiamento. No médio e alto padrão, o percentual foi de 8,6%. O preço apareceu em 54,4% das conversas do médio e alto padrão e em 33,7% das interações do segmento econômico, segundo os dados reportados.

O contexto ajuda a explicar por que a etapa humana continua relevante. No levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), elaborado com a Brain Inteligência Estratégica, o MCMV respondeu por 58% dos lançamentos e 51% das vendas de imóveis residenciais novos no segundo trimestre de 2026. Foram 62.129 unidades do programa entre 107.161 lançadas e 58.392 entre 113.676 vendidas no período.

Financiamento, entrada, capacidade de pagamento e enquadramento em um programa habitacional não são apenas filtros de busca. Eles envolvem renda, documentação, juros, condições contratuais e risco financeiro. Por isso, profissionais ouvidos pelo InfoMoney descrevem a IA como ferramenta de triagem e organização, enquanto atribuem ao corretor a explicação de condições, a conferência de informações e o acompanhamento de uma decisão de alto valor para a família.

A fonte principal dos percentuais de automação tem interesse comercial direto: a Morada.ai vende a tecnologia às incorporadoras. A reportagem informa a origem e o tamanho declarados da base, mas não apresenta auditoria externa, dados brutos, vendas fechadas ou uma comparação com empresas que não usam a plataforma. Também não há, nas fontes consultadas, evidência de que a IA tenha reduzido empregos de corretores em escala nacional.

O que os dados sustentam é mais específico: no recorte informado pela empresa, a IA está sendo usada para iniciar e organizar conversas de compra. A conclusão sobre produtividade, vendas ou substituição profissional exigiria métricas independentes de conversão, qualidade das respostas, erros de informação e resultado dos contratos.