A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, estima que o déficit primário efetivo potencial poderá chegar a 1% do Produto Interno Bruto em 2027 quando novos compromissos anunciados durante a campanha forem somados às divergências entre as projeções da instituição e o Projeto de Lei Orçamentária. O cálculo não descreve o resultado já realizado: é um cenário de pressão fiscal para o próximo ano.
No Relatório de Acompanhamento Fiscal de outubro, a IFI estima em aproximadamente R$ 40 bilhões o impacto adicional associado a três frentes: reajuste do Bolsa Família, perda de arrecadação ligada às bets e medidas voltadas aos microempreendedores individuais. A instituição ressalva que outras propostas, como a ampliação do Pé-de-Meia para o ensino superior e a gratuidade do transporte coletivo aos fins de semana, não entraram nessa conta.
A Agência Brasil registrou que a IFI projeta déficit primário de 0,5% do PIB em 2026 e potencial de 1% em 2027 após incorporar os novos compromissos. A TV Senado traduziu o cenário de 1% para mais de R$ 145 bilhões, mas a conversão depende do PIB nominal usado no relatório.
O quadro é diferente do apresentado pelo governo no PLOA 2027. O projeto prevê superávit primário cheio de R$ 18,6 bilhões, enquanto a IFI avalia que as novas medidas e as diferenças de cálculo podem levar o resultado efetivo para o lado deficitário. As duas cifras não são diretamente equivalentes: usam premissas e tratamentos fiscais diferentes.
Para a IFI, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB para estabilizar a relação entre dívida pública e economia. A diferença entre esse patamar e o déficit potencial projetado indica a dimensão do ajuste que a instituição considera necessário, mas não determina quais despesas ou receitas seriam alteradas nem substitui a decisão do Congresso sobre o Orçamento.
O ponto central é a distância entre promessa, meta e execução. O déficit de 1% é uma hipótese condicionada à implementação de compromissos e às premissas do relatório; o superávit do PLOA é uma previsão legislativa; e o resultado final dependerá de receitas, despesas, decisões parlamentares e execução ao longo de 2027.
