O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda registrou em setembro a maior alta mensal entre as famílias de renda muito baixa: 0,94%. Na faixa de renda alta, a variação foi de 0,72%, a menor entre os seis grupos pesquisados. Todas as faixas tiveram inflação positiva depois da deflação de agosto.
O resultado muda conforme o período observado. No acumulado de janeiro a setembro, a renda baixa teve a maior taxa, 4,18%, enquanto a renda média-alta registrou 3,73%. Em 12 meses terminados em setembro, a maior taxa foi da renda alta, 5,03%, e a menor, da renda muito baixa, 4,22%.
Essa alternância é a principal cautela na leitura do indicador. Os números medem a variação de cestas ponderadas de acordo com o padrão de consumo de cada faixa; não representam a inflação de uma família específica nem medem diretamente salários ou perda individual de poder de compra.
Segundo o Ipea, o fim do efeito do Bônus de Itaipu elevou a energia elétrica em 8% em setembro e teve impacto maior nas faixas de renda mais baixas. A alimentação no domicílio subiu 0,96%; tubérculos avançaram 18,9%, cereais 2,5% e carnes 0,63%. Parte dessa pressão foi compensada pela queda de aves e ovos, café moído e hortaliças.
Na faixa de renda alta, o grupo de transportes teve peso maior. As passagens aéreas subiram 9,7% e os combustíveis, 1,4%, de acordo com a nota do instituto. O IPCA geral de setembro ficou em 0,82%, mas essa média não substitui a decomposição por faixa de renda.
A Revista Oeste levou o dado ao noticiário nesta janela, e o Auriverde publicou leitura semelhante. As duas reportagens dependem da mesma fonte primária. O dado do Ipea mostra uma pressão mensal mais forte sobre a renda muito baixa, mas não sustenta a conclusão de que essa relação se repete em todos os horizontes.
