Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, afirmou em entrevista ao videocast Stock Pickers que a taxa Selic pode continuar em dois dígitos pelo menos até 2028. A fala está vinculada à gravação original e é uma projeção do entrevistado, não uma decisão do Comitê de Política Monetária nem uma previsão oficial do Banco Central.
O título do vídeo apresenta um alerta sobre os desafios do novo governo, e a entrevista trata de dívida pública, juros e reformas. A formulação publicada pelo InfoMoney acrescenta um horizonte explícito: mesmo se houver espaço para cortes, Loyola avalia que os juros nominais permaneceriam acima de 10% no mínimo até 2028.
O que já está nos dados
O histórico oficial do Copom registra meta Selic de 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026. Essa é a taxa vigente documentada pelo BC na apuração; ela pode mudar em reuniões posteriores.
O Relatório Focus de 23 de outubro, que reúne expectativas de instituições e não representa uma previsão do próprio Banco Central, apontava mediana de 11,75% para a Selic de 2027 e de 10,00% para 2028. A fala de Loyola, portanto, está alinhada ao nível nominal projetado pelo mercado para 2028, embora use uma avaliação própria sobre o risco fiscal para explicar por que os juros poderiam continuar elevados.
O Banco Central registrou dívida bruta do governo geral de 82,9% do PIB em setembro, equivalente a R$ 11,1 trilhões. Na mesma nota, os juros nominais acumulados em 12 meses chegaram a R$ 1,205 trilhão, ou 8,99% do PIB. Esses números dimensionam o passivo e o custo financeiro observado, mas não comprovam, sozinhos, que a Selic ficará em dois dígitos até 2028.
Como o mecanismo funciona
O argumento de Loyola é que uma trajetória fiscal percebida como frágil pode elevar o prêmio de risco, dificultar a queda dos juros e aumentar o custo de rolagem da dívida. Essa é a interpretação apresentada pelo economista. Os dados oficiais não permitem atribuir o comportamento futuro da Selic a uma única causa.
O Banco Central explica que a Selic influencia empréstimos, financiamentos e aplicações e opera por canais como crédito, consumo, investimento e expectativas. Para a vida cotidiana, juros básicos altos tendem a aparecer em financiamentos mais caros, menor espaço para parcelas e mais cautela de empresas e famílias. O efeito concreto varia conforme o banco, o prazo, o risco do tomador e a modalidade.
Projeção não é destino
O cenário de Loyola convive com alternativas. Inflação mais baixa, expectativas ancoradas e melhora fiscal podem permitir cortes mais rápidos. Choques externos, câmbio pressionado ou deterioração das contas públicas podem manter os juros acima do cenário de mercado. O Focus é uma fotografia das expectativas coletadas até sua data de referência, não uma garantia.
O ponto novo desta atualização é específico: uma fonte identificada, com experiência na direção do BC, colocou em público um horizonte de juros nominais de dois dígitos até 2028. O dado não altera a decisão vigente do Copom e não transforma uma previsão em fato consumado. Ele ajuda a dimensionar o cenário que empresas, consumidores e o governo precisam considerar ao planejar crédito, investimento e orçamento.
