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Mansueto vê incerteza fiscal como principal risco de curto prazo; entenda o mecanismo

Economista do BTG atribui pressão sobre câmbio, bolsa e curva de juros à falta de clareza sobre o plano fiscal; diagnóstico é avaliação, não dado oficial.

Ilustração em grafite de livros contábeis, balança, moedas, ponte e curva ascendente abstrata sobre uma paisagem institucional, sem números legíveis.
Ilustração editorial Estoaris.

O economista Mansueto Almeida, do BTG Pactual, afirmou à CNN Brasil que a incerteza sobre o próximo plano fiscal do governo é o principal problema de curto prazo para a economia. Segundo ele, a indefinição ajuda a explicar dólar mais alto, queda da bolsa e aumento da curva de juros após a eleição.

A declaração é uma avaliação de um economista de mercado, não um indicador oficial nem uma previsão certa. O ponto econômico pode ser entendido pela forma como investidores precificam o futuro: quando não está claro como despesas, receitas e dívida evoluirão, o risco percebido pode aumentar antes que qualquer deterioração adicional apareça nos dados realizados.

Como a incerteza chega aos juros

O governo se financia emitindo títulos. Se compradores passam a exigir prêmio maior para carregar esses papéis, as taxas de prazos longos sobem. A curva de juros é a sequência dessas taxas para diferentes vencimentos; uma alta na parte longa pode encarecer financiamento de empresas, crédito imobiliário e capital de giro mesmo que a taxa básica do Banco Central não mude naquele dia.

O câmbio também reage às expectativas. Uma procura maior por proteção em moeda estrangeira pode pressionar o real. O câmbio mais fraco, por sua vez, encarece produtos importados e alguns insumos. O repasse para a inflação não é automático nem igual para todos os setores, mas pode alterar as projeções usadas pelo Banco Central.

O que é dado e o que é cenário

Há dados oficiais que ajudam a dimensionar o pano de fundo, mas eles não comprovam sozinhos a explicação de Mansueto. O Tesouro registrou Dívida Pública Federal de R$ 9,29 trilhões em agosto, enquanto a Instituição Fiscal Independente (IFI) projetou dívida bruta de 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 e 86,4% em 2027 no cenário publicado em setembro. A primeira cifra é um estoque observado; as da IFI são projeções de um cenário, não resultados realizados.

Esses números mostram por que a trajetória da dívida é acompanhada, mas não permitem atribuir cada movimento diário do dólar, da bolsa ou dos juros a uma única causa. Mercado externo, commodities, inflação, atividade econômica e decisões do Banco Central também participam da formação dos preços.

A decisão que ainda falta

Mansueto defendeu um plano claro para conter o crescimento das despesas. Isso define a solução que ele considera necessária, não uma decisão já tomada pelo governo. O conteúdo de um eventual plano, sua tramitação e a execução orçamentária serão os elementos que permitirão testar a avaliação ao longo do tempo.

Para famílias e empresas, a consequência mais imediata de uma curva de juros elevada é crédito mais caro e maior dificuldade para planejar investimentos. A intensidade depende do prazo, do risco de cada tomador e da velocidade com que expectativas se alteram; não há repasse mecânico de uma cotação de mercado para cada contrato.

Fontes consultadas