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Denúncias de violência política sobem 350% no Disque 100 antes do fim de outubro

MDHC registrou 90 denúncias de 1º a 25 de outubro, contra 20 em setembro; aumento de registros não equivale a condenações ou casos comprovados.

Ilustração editorial em grafite, carvão e tinta com telefone de denúncia genérico, urna, escudo constitucional, balança e setas de encaminhamento entre instituições; sem logotipos ou texto legível
Ilustração editorial Estoaris.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou 90 denúncias de violência política recebidas pelo Disque 100 entre 1º e 25 de outubro de 2026. Em setembro, foram 20 no mesmo recorte mensal. A alta foi de 350%, segundo nota oficial do ministério.

O número mede denúncias recebidas por um canal público, não condenações, inquéritos concluídos ou agressões cuja autoria já tenha sido reconhecida pela Justiça. O salto mostra pressão sobre o sistema de registro e encaminhamento durante a eleição, mas não permite concluir sozinho quantos episódios serão comprovados.

Como o ministério calculou a alta

Considerando períodos equivalentes, de 1º a 25 de cada mês, as denúncias passaram de 13 em setembro para 90 em outubro. Nesse recorte, o crescimento calculado pelo MDHC foi de aproximadamente 592,3%. O ministério também registrou 19 denúncias no dia do primeiro turno e 8 no segundo turno; juntas, as duas datas concentraram 30% dos registros de outubro no período analisado.

O dado é preliminar porque outubro ainda não havia terminado quando a nota foi publicada. Além disso, o canal reúne relatos que precisam de análise. Não se pode converter a contagem em uma taxa de violência por eleitor, candidato ou município sem saber a distribuição territorial, o perfil dos denunciantes, a natureza de cada ocorrência e quantos casos foram confirmados.

O que acontece depois do registro

Além das 90 denúncias do Disque 100, o MDHC informou ter recebido 41 casos encaminhados por partidos e parlamentares e outros 38 por canais parceiros, inclusive ministérios. Somados os canais, foram identificadas 189 denúncias em setembro e outubro.

O ministério disse que os 189 casos foram encaminhados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, à Polícia Federal, à Defensoria Pública da União, ao Ministério Público, ao Ministério Público do Trabalho e à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. O encaminhamento abre uma etapa de apuração; não é decisão sobre responsabilidade criminal, eleitoral ou administrativa.

A dimensão constitucional está na resposta

O MDHC classificou os registros como relacionados à violência política de gênero, à violência política étnico-racial e ao direito de votar e ser votado. Esses eixos atingem liberdade de participação e exercício de direitos políticos, mas a nota não individualiza os casos nem informa quais autoridades serão responsabilizadas em cada ocorrência.

O próximo teste institucional é a qualidade da apuração: identificação dos fatos, preservação de provas, contraditório, encaminhamento ao órgão competente e retorno público sobre os resultados. Sem essa sequência, o dado de denúncias é um alerta administrativo e político, não um balanço final de crimes cometidos.

Fontes e limites: MDHC e Disque 100. Os números são denúncias recebidas e encaminhadas; resultados individuais de investigação ainda não foram publicados.