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Confiança empresarial cai pelo quarto mês, mas expectativas melhoram

O indicador da FGV mostra enfraquecimento da avaliação corrente, mas melhora parcial do horizonte de seis meses; o resultado não equivale a queda medida do PIB.

Ilustração editorial em grafite com fábrica, loja, serviço e construção ao redor de um indicador abstrato em queda e uma linha de expectativa em leve alta, sem texto legível.
Ilustração editorial Estoaris.

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) do FGV IBRE recuou 0,3 ponto em outubro, para 89,8 pontos. Foi a quarta queda mensal consecutiva. Na média móvel trimestral, o indicador caiu 0,6 ponto, a segunda redução seguida.

Presente mais fraco, futuro um pouco melhor

O movimento não foi igual nos dois componentes principais. O Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) caiu 1,1 ponto, para 89,6, acumulando perda de 4,5 pontos em quatro meses. Dentro dele, a satisfação com a situação atual dos negócios recuou para 87,8 pontos, enquanto a avaliação da demanda no momento presente caiu para 91,4.

O Índice de Expectativas Empresariais (IEE) avançou 0,6 ponto, para 90,2. A expectativa de demanda nos três meses seguintes ficou estável em 87,2 pontos; já o componente que capta a evolução dos negócios seis meses à frente subiu 1,2 ponto, para 93,4. A leitura é de percepção corrente mais fraca combinada com uma melhora parcial do horizonte futuro, não de recuperação já observada na produção.

O que o ICE mede

O ICE agrega as sondagens da indústria de transformação, dos serviços, do comércio e da construção. Segundo a metodologia do FGV IBRE, os segmentos cobertos representam mais de 50% da economia do país. O índice é divulgado mensalmente e suas séries ajustadas sazonalmente podem ser revisadas a cada nova observação.

Isso faz do ICE um indicador de percepção empresarial usado para acompanhar a situação corrente e antecipar possíveis rumos da economia. Ele não é uma medida direta do Produto Interno Bruto (PIB), do número de empregos ou do investimento realizado. Uma expectativa melhor pode não se transformar em atividade maior se demanda, custos, crédito ou outras condições mudarem.

Uma interpretação que ainda depende dos próximos dados

Na divulgação oficial, o pesquisador Aloisio Campelo Jr. afirmou que a melhora das expectativas foi puxada pelo horizonte de seis meses e que é difícil separar uma melhora efetiva de um possível efeito ligado ao fim do período eleitoral. A observação é uma interpretação atribuída ao pesquisador; o índice, sozinho, não identifica a causa do movimento.

O resultado de novembro e os indicadores de atividade poderão mostrar se a avaliação corrente se estabiliza e se a melhora das expectativas se traduz em decisões empresariais. Até lá, o registro de outubro combina um sinal de enfraquecimento no presente com uma expectativa menos negativa para parte do horizonte futuro.