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Rali do 1º turno foi revertido após o 2º

Na comparação publicada pelo Valor, a alta de bolsa e a queda do dólar após o primeiro turno deram lugar a uma correção mais forte depois do segundo; B3 e Banco Central confirmam os fechamentos de referência.

Ilustração editorial em grafite com urna abstrata, dois movimentos opostos de mercado, prédio genérico de bolsa e moeda sem texto legível.
Ilustração editorial Estoaris.

Uma comparação publicada pelo Valor mostra que os dois turnos da eleição produziram reações opostas nos ativos brasileiros. Na semana seguinte ao primeiro turno, o veículo registrou alta de 12,2% do Ibovespa e queda de 3,8% do dólar à vista. Após o segundo turno, a mesma comparação apontou perda de 18,1% para o índice e alta de 9,1% para a moeda americana.

O que os dados oficiais confirmam

Na sexta-feira (30), a B3 registrou queda de 0,75% do Ibovespa, para 167.921,80 pontos. Foi o quinto pregão consecutivo de baixa depois da eleição, e outubro terminou com recuo de 9,88%, segundo a própria bolsa.

O Banco Central informou PTAX de venda de R$ 5,4212 em 30 de outubro. O Valor usou a cotação do dólar à vista de R$ 5,4442 para a comparação semanal. São referências diferentes: a PTAX é uma taxa calculada pelo BC; a cotação à vista é o preço praticado no mercado em determinado momento.

Por que a diferença importa

Na comparação do Valor, o Ibovespa saiu de 186.340 para 209.067 pontos na semana pós-primeiro turno e encerrou a janela pós-segundo turno em 167.922 pontos. O dólar passou de R$ 5,1743 para R$ 4,98 na primeira janela e terminou em R$ 5,4442 na segunda. Esses números são apresentados como a comparação publicada pelo veículo; o fechamento de 30 de outubro tem confirmação independente da B3.

Quando a bolsa sobe, o efeito imediato é sobre o valor de mercado das empresas e sobre o patrimônio de quem possui ações ou fundos expostos ao índice. Isso não significa que a renda de todas as famílias tenha aumentado na mesma proporção. Da mesma forma, uma alta do dólar pode encarecer importados, componentes industriais, combustíveis e custos de empresas que dependem de insumos externos, mas o repasse varia por produto e contrato.

A reação dos ativos também não é um plebiscito sobre a economia real. Preços incorporam expectativas sobre juros, contas públicas, atividade, cenário externo e resultados de empresas. A B3 apontou incertezas macroeconômicas locais, balanços corporativos e pressão das bolsas estrangeiras como elementos presentes no fechamento de outubro. Isso limita qualquer frase que atribua toda a variação a uma única decisão eleitoral.

O dado novo desta atualização é a comparação entre os dois turnos: o rali inicial não apenas perdeu força, como foi mais que revertido na semana seguinte ao segundo. A leitura sobre as causas continua sendo uma interpretação de mercado, enquanto pontos e cotações têm registros próprios na B3 e no Banco Central.