O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), vai defender que senadores de direita revelem publicamente como votaram na eleição para a Presidência da Casa em 2027, informou a Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (2). A proposta descrita pelo jornal é de divulgação voluntária do voto por cada parlamentar.
O rito da eleição continua secreto. O artigo 60 do Regimento Interno do Senado determina que os membros da Mesa sejam escolhidos em escrutínio secreto. O artigo 291 também inclui as eleições entre as hipóteses de votação secreta. Em julho deste ano, o próprio Senado explicou que, na disputa pela Presidência, havendo mais de um candidato, a votação é feita por cédulas de papel.
Há uma diferença prática entre tornar o procedimento oficialmente aberto e o próprio senador revelar sua escolha. Na eleição de 2023, a Mesa avisou que a exibição da cédula antes de ela ser depositada poderia levar à anulação do voto. As notas taquigráficas da sessão registram que o então presidente dos trabalhos, Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), disse que cada parlamentar poderia anunciar sua escolha posteriormente. Marinho contestou a restrição à exibição da cédula e argumentou que o sigilo protege o senador de eventual retaliação; para ele, quem não tivesse essa preocupação deveria poder tornar a escolha pública.
A posição de Marinho contra o voto secreto também aparece em registro posterior. Em pronunciamento no plenário em 24 de setembro de 2025, ele afirmou que “sempre fui contra o voto secreto” e disse ter divulgado como votou em indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal. O senador também figura entre os signatários da PEC 71/2023, que pretende vedar o voto secreto nas deliberações do Poder Legislativo e permanece aguardando designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça.
O precedente de 2019
A regra do escrutínio secreto já foi objeto de disputa no próprio Senado. Em 1º de fevereiro de 2019, o plenário aprovou por 50 votos a 2 uma questão de ordem para realizar a eleição da Mesa por voto aberto. Na madrugada seguinte, o Supremo Tribunal Federal anulou essa decisão e determinou a observância do artigo 60 do Regimento. O andamento oficial da Suspensão de Segurança 5.272 registra que a eleição deveria ocorrer por escrutínio secreto.
Esse precedente limita o alcance institucional da iniciativa agora atribuída a Marinho: a declaração individual do voto não transforma, por si só, a eleição em votação aberta nem modifica o Regimento. Em 2023, a própria Mesa distinguiu o anúncio posterior da escolha da exibição da cédula durante o procedimento.
A disputa de 2027
Marinho já disputou a Presidência do Senado em 2023 e perdeu para Rodrigo Pacheco por 49 votos a 32, conforme o registro oficial da sessão. Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente, foi eleito em 2025 com 73 dos 81 votos e exerce o mandato até 1º de fevereiro de 2027, segundo a Agência Senado.
A eleição de 2027 ocorre em um Senado com composição diferente da atual. O PL ainda precisa formalizar sua posição para a disputa. A matéria anterior do Estoaris sobre a sucessão registrou que o partido deve ter candidato próprio e que Marinho é o nome apontado pelas reportagens recentes. Mesmo que parlamentares anunciem publicamente suas escolhas, o resultado oficial continuará sendo apurado sob o rito secreto previsto no Regimento.
Fontes: Senado — Regimento Interno, art. 60 e regras da eleição da Mesa; Senado — Regimento Interno, arts. 289 a 296; Senado — notas taquigráficas da eleição da Mesa de 1/2/2023; Senado — pronunciamento de Rogério Marinho em 24/9/2025; Senado — PEC 71/2023, coassinada por Rogério Marinho; STF — SS 5.272, decisão de 2/2/2019; Senado — funcionamento das votações, 13/7/2026; Senado — eleição de Davi Alcolumbre em 1/2/2025; Senado — lideranças parlamentares; Marinho como líder da oposição; Folha de S.Paulo — Marinho vai defender que direita divulgue voto


