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PDE 2036 projeta alta de 39% nas importações líquidas de óleo diesel A

O plano oficial estima alta de 39% nas importações líquidas de óleo diesel A até 2036; documentos do PDE divergem no ponto inicial da dependência percentual.

Ilustração editorial em grafite com refinaria genérica, terminal, caminhão-tanque e dutos, sem texto legível.
Ilustração editorial Estoaris.

O Relatório Síntese do PDE 2036, elaborado pela EPE sob diretrizes do MME, projeta que as importações líquidas de óleo diesel A passarão de 36,6 mil m³/dia em 2026 para 51 mil m³/dia em 2036. O aumento de 39% é uma projeção do plano.

O que os números medem

Óleo diesel A é o derivado antes da mistura obrigatória com biodiesel. Importação líquida é a diferença entre o que o país precisa trazer de fora e eventuais volumes exportados. O PDE estima demanda de 206 mil m³/dia em 2036 e dependência externa de cerca de 25% para atender esse consumo.

A Figura 1-9 do Relatório Síntese mostra 22% em 2026, enquanto o Caderno de Refino mostra 20%. Os dois documentos chegam a 25% em 2036; a diferença inicial é apresentada como divergência entre documentos, não como uma única taxa histórica.

A produção nacional de óleo diesel A também cresce no cenário, de 136,5 mil para 155,2 mil m³/dia. Os documentos oficiais apresentam percentuais diferentes para a variação dessa produção; por isso, a comparação é feita pelos volumes.

Por que o óleo diesel A pesa na economia

O óleo diesel A é central no transporte rodoviário de cargas. A importação expõe o abastecimento ao preço internacional de derivados, ao frete, ao câmbio e à logística. Isso não determina automaticamente o preço doméstico: repasses dependem de contratos, concorrência, tributos e condições de mercado.

O PDE não está prevendo falta de diesel ou um preço específico para 2036. O documento é indicativo e afirma que suas projeções não garantem acontecimentos futuros.

O que pode mudar o cenário

O relatório considera expansão e modernização do refino, unidades de tratamento para mais diesel S10, biocombustíveis, diesel verde, biometano e eletrificação do transporte. Esses fatores podem reduzir a exposição externa, mas dependem de investimentos, decisões regulatórias e evolução da demanda.

A consulta pública do PDE 2036 fica aberta até 6 de novembro. Até que o ciclo de planejamento seja concluído e os projetos avancem, os números devem ser lidos como referência de planejamento energético, não como obrigação de resultado.