A pesquisa “O Brasil depois das urnas”, da Quaest, mostra um país mais dividido após a eleição presidencial de 2026: 81% dos entrevistados disseram perceber maior divisão, enquanto 15% viram mais união. O levantamento foi divulgado neste domingo (8) e ouviu 2.004 pessoas entre 30 de outubro e 2 de novembro.
O estudo também mediu a reação à contestação do resultado por Flávio Bolsonaro. Segundo os dados divulgados sobre a pesquisa, 59% rejeitam a postura de questionar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, e 34% a apoiam. A pesquisa registra a opinião dos entrevistados; ela não altera o resultado oficial nem estabelece, por si só, as razões dessas respostas.
O recorte sobre o futuro do país traz uma combinação menos uniforme do que a polarização sugere. O otimismo subiu para 44%, ante 41% em dezembro de 2022, enquanto a parcela preocupada caiu para 48%, ante 54% no mesmo parâmetro. A comparação depende da formulação e do período de cada rodada e deve ser lida como variação de percepção, não como avaliação objetiva do desempenho de um governo.
Entre os entrevistados, 94% disseram torcer para que Lula faça um bom governo. Ao mesmo tempo, 70% esperam conflitos entre o Planalto e o Congresso, e 46% preveem atritos com o Supremo Tribunal Federal. Os percentuais descrevem expectativas declaradas no início do quarto mandato, não decisões tomadas pelos Poderes.
O levantamento informa margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%. A janela de entrevistas terminou antes de acontecimentos posteriores; portanto, os números não medem efeitos de fatos ocorridos depois de 2 de novembro.
O dado institucional que contrasta com a percepção eleitoral é o registro do próprio Teste de Integridade do TSE, que informou correspondência entre cédulas e votos nas urnas auditadas no segundo turno. A pesquisa mede confiança e avaliação política; o teste registra um procedimento de auditoria específico. São objetos diferentes e não devem ser tratados como equivalentes.
O próximo teste para a leitura desse cenário será observável na relação entre o Executivo e o Congresso, e na forma como a oposição reorganizará sua atuação. A pesquisa indica expectativas e divisões presentes; a condução efetiva do novo mandato dependerá de atos, votações e decisões que ainda ocorrerão.
